
O que é o Livro de Mórmon? Entenda do que ele fala e seu propósito
Se você quer saber o que é o Livro de Mórmon, a resposta direta é esta: um volume de escritura que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias usa ao lado da Bíblia. O livro se apresenta como o registro religioso de povos que viveram na América antiga, condensado em placas de metal por volta do ano 400 d.C. por um profeta e historiador chamado Mórmon. Esse nome deu título ao livro, e o livro deu aos membros da Igreja o seu apelido.
O livro se apresenta como o registro religioso de povos que viveram na América antiga, condensado em placas de metal por volta do ano 400 d.C
Joseph Smith publicou a primeira edição em Palmyra, no estado de Nova York, em março de 1830. Desde então a Igreja já o publicou em mais de 110 idiomas, e ele circula em português desde 1939. Hoje o texto completo é gratuito, em versão impressa, em áudio e no aplicativo.
Do que o livro fala
O livro tem pouco mais de 500 páginas, divididas em 15 livros menores, batizados em geral com o nome dos profetas que mantiveram o registro: 1 Néfi, Alma, Helamã, Morôni.
A narrativa começa em Jerusalém, por volta de 600 a.C., pouco antes do cativeiro babilônico. Um profeta chamado Leí atravessa o mar com a família até as Américas. Seus descendentes se dividem em duas nações rivais, os nefitas e os lamanitas, e o registro os acompanha por cerca de mil anos, entre guerras e quedas, até a destruição da nação nefita no século 5 d.C. Um registro mais antigo e mais curto dentro do próprio volume (o livro de Éter) conta a história de um povo anterior, os jareditas.
Quem escreveu o Livro de Mórmon? Nos termos do próprio livro: dezenas de guardiões de registros ao longo de um milênio, resumidos em um único conjunto de placas por Mórmon e concluídos por seu filho Morôni. Nos termos dos críticos: Joseph Smith. A distância entre essas duas respostas é todo o debate sobre o livro.
O centro do livro não é a história. Em 3 Néfi 11, Jesus Cristo ressuscitado visita esse povo depois de seu ministério em Jerusalém. Ele os ensina, cura seus doentes, institui o sacramento e chama doze discípulos. A página de rosto declara o propósito do livro em uma linha: convencer “judeu e gentio de que JESUS é o CRISTO”. Desde 1982, seu subtítulo é “Outro Testamento de Jesus Cristo”.
A página de rosto declara o propósito do livro em uma linha: convencer judeu e gentio de que JESUS é o CRISTO
Na doutrina, o texto é mais próximo do Novo Testamento do que a maioria dos leitores de primeira viagem espera. Fé em Cristo, arrependimento, batismo por imersão, ressurreição: o núcleo é terreno cristão conhecido.
De onde ele veio
O relato de Joseph Smith é específico e estranho, e ele nunca o suavizou. Em 1823, aos 17 anos, ele contou que um anjo chamado Morôni lhe mostrou onde estava enterrado, numa colina perto da fazenda de sua família em Manchester, Nova York, um registro gravado em placas finas de metal. Disse ter recebido as placas em 1827 e ditado uma tradução a escreventes, principalmente Oliver Cowdery, concluindo no fim de junho de 1829. O grosso do ditado levou cerca de 65 dias úteis. Ele descreveu o método como “o dom e o poder de Deus”, usando às vezes instrumentos encontrados com as placas (os “intérpretes” nefitas, depois chamados de Urim e Tumim) e, com frequência, uma pedra vidente que já possuía. A Igreja tratou da pedra vidente abertamente em um ensaio oficial de 2013.
Onze outros homens assinaram declarações formais sobre as placas. Três disseram que um anjo lhes mostrou o registro; oito disseram que Joseph lhes entregou as placas e que viraram as folhas com as próprias mãos. Vários dos onze romperam com Joseph Smith mais tarde ou deixaram a Igreja de vez. Nenhum deles jamais se retratou. As duas declarações continuam impressas na abertura de cada exemplar.
A primeira edição, de 5.000 exemplares, saiu da gráfica de E. B. Grandin em março de 1830. Joseph Smith tinha 24 anos.
Ele substitui a Bíblia?
Não. As Regras de Fé da Igreja colocam os dois lado a lado: “Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus”. Os membros estudam os dois, e o currículo da Escola Dominical alterna entre eles ano a ano. Um membro citando Paulo e um membro citando Alma estão fazendo a mesma coisa.
O próprio livro afirma complementar o registro bíblico, não competir com ele. Seus autores citam Isaías longamente e apontam o tempo todo para o Cristo dos Evangelhos. Se tudo isso faz dos santos dos últimos dias cristãos é outra pergunta, e já respondi em um artigo próprio sobre se os mórmons são cristãos.
O Livro de Mórmon é verdadeiro?
O livro não pede para ser aceito pela palavra de ninguém. Seu capítulo final convida o leitor a perguntar diretamente a Deus se o registro é verdadeiro, com uma promessa junto (Morôni 10:4-5). É esse teste, e não o argumento acadêmico, que sustenta a convicção dos membros na prática, e é por isso que os missionários entregam o livro em vez de debatê-lo.
Os debates em torno do livro são reais, e a honestidade exige nomear os dois lados. A favor: o ditado foi rápido, o texto é longo e internamente consistente, as onze testemunhas nunca se retrataram, e Joseph Smith tinha 23 anos e pouca instrução formal. Contra: nenhum achado arqueológico nas Américas foi vinculado de forma conclusiva a uma cidade do Livro de Mórmon, e críticos desde 1830 leem o livro como produto do seu ambiente do século 19. A arqueologia não resolveu a questão em nenhuma direção, e não espero que isso mude tão cedo.
O que se pode dizer com clareza é o que o livro significa para o restante da fé. Joseph Smith o chamou de “a pedra angular de nossa religião”. Se o Livro de Mórmon é o que afirma ser, a Restauração se sustenta. Se não é, nada mais na Igreja fica de pé. Uma afirmação desse tamanho merece uma leitura em primeira mão, não um veredicto de segunda.
Como ler de graça em português
O texto completo em português está no site da Igreja e no aplicativo Biblioteca do Evangelho, os dois gratuitos e sem necessidade de cadastro. Um exemplar impresso pode ser pedido sem custo pela internet ou aos missionários, e existe uma versão completa em áudio. Muita gente procura o Livro de Mórmon em PDF; as edições digitais oficiais atendem a essa necessidade de graça, então não há motivo para caçar uma cópia escaneada.
Um jeito prático de começar: leia 1 Néfi 1 pela história, ou vá direto a 3 Néfi 11, o centro do livro, e leia as duas declarações das testemunhas impressas na abertura. A maioria dos leitores termina o volume inteiro em algumas semanas.
REFERÊNCIAS
- O Livro de Mórmon, texto completo em português. churchofjesuschrist.org
- Tradução do Livro de Mórmon, Ensaios sobre Tópicos do Evangelho. churchofjesuschrist.org
- Joseph Smith—História, Pérola de Grande Valor. churchofjesuschrist.org
- O Testemunho de Três Testemunhas e o Testemunho de Oito Testemunhas. churchofjesuschrist.org
- Pedido de exemplar gratuito. comeuntochrist.org

